Apresentação

Apresentação

A humanidade passou por momentos até então inimagináveis nos últimos anos. A pandemia causada pela covid-19, além, é claro, da perda de muitas vidas e todas as consequencias na saúde física e mental das pessoas, trouxe impactos a muitos setores, e um dos mais afetados, foi o artístico/cultural.

Espetáculos e eventos cancelados num primeiro momento, posteriormente adaptados para versões online, artistas, técnicos e profissionais desempregados, empresas quebradas, desesperança.

Por outro lado, o isolamento social mostrou o quanto a arte, a cultura e o entretenimento preenchem a vida das pessoas.

Os festivais de cinema em geral já vinham sofrendo uma crise nos últimos anos, falta de patrocínio, de políticas públicas pensadas para a continuidade dos eventos, que colocavam em xeque a importância dos festivais no país por meio do estrangulamento e da burocratização do setor, que foi agravada
pela pandemia.

Trabalhar com cultura e gênero sempre foi uma tarefa árdua, especialmente em momentos de crise, quando a área cultural é sempre uma das primeiras a sofrer cortes. Acrescenta-se o fato de presenciarmos uma onda conservadora em nossa sociedade. No entanto, as questões de gênero, de equidade e diversidade, e suas interseccionalidades como raça, classe social, sexualidade, entre outras vêm ganhando cada vez mais espaço na mídia e nas redes sociais.

Após um recesso forçado, o Femina volta em 2022 em sua 13ª edição, num momento imprescindível para falar de gênero, sexualidade, feminismos, suas interseccionalidades com outras categorias sociais, e sua relação com a violência, o feminicídio, o assédio, a política.

A igualdade de direitos, o respeito às diferenças, a justiça e o combate à violência são fundamentais para o desenvolvimento da sociedade e de todos os indivíduos. E as imagens que produzimos, exibimos e difundimos têm um papel crucial na promoção da igualdade, da tolerância e do respeito, e na construção de uma sociedade mais justa e com melhor qualidade de vida para todxs.

O Seminário Femina apresenta esse ano dois painéis dedicados à pesquisa sobre as relações do audiovisual com as questões de gênero e suas interseccionalidades: o lançamento do livro Trabalhadoras do cinema brasileiro: mulheres muito além da direção, de Marina Tedesco, e alguns trabalhos das pesquisadoras da rede + Mulheres Lideranças no Audiovisual Brasileiro. E no terceiro dia um encontro sobre coproduções internacionais para tentar reduzir o distanciamento de uma edição online.

O Femina 2022 presta uma homenagem à cineasta Tata Amaral, uma das maiores realizadoras do país.

Como em todos os anos, apresentaremos uma Competição Internacional, uma Competição Nacional e Programas Especiais, em que serão exibidos 51 filmes de 25 países e diferentes estados brasileiros.

Na abertura, o Femina apresenta o filme Paisagens de Resistência, de Marta Popivoda, apresentado em vários festivais renomados e vencedor de seis prêmios internacionais.

Com apoio da Riofilme e da plataforma Innsaei.tv, e realização do Instituto Femina, o Femina 2022 agradece a todxs xs colaboradorxs, apoiadorxs, empresas e instituições que tornaram possível mais essa edição.

Convidamos a todxs para acompanhar nossas atividades!

Paula Alves & Eduardo Cerveira
Instituto de Cultura e Cidadania Femina

É com orgulho que a RioFilme, órgão que integra a Secretaria de Governo e Integridade Pública da Prefeitura do Rio, celebra a parceria com a edição 2022 do Femina – Festival Internacional de Cinema Feminino, que tem um papel pioneiro ao colocar na berlinda as discussões de gênero no audiovisual no Brasil e no mundo. São questões que atravessam o tempo e permanecem urgentes, quando o assunto é equidade de gênero no audiovisual. Desde 2004, o Femina cumpre também a missão de dar visibilidade à produção de cineastas brasileiras, ampliando as possibilidades de acesso do público a filmes dirigidos por mulheres.

O apoio a Mostras e Festivais foi um dos pontos focais da Retomada do Audiovisual Carioca, lançado pela Prefeitura do Rio em 2021, e a diversidade dos eventos a serem apoiados foi um dos critérios que norteou as ações da RioFilme, ampliando assim o debate em torno da interseccionalidade das questões que permeiam a contemporaneidade e criando uma rede diversa de discussões em Mostras e Festivais de diferentes escopos e públicos.

A nossa política inclusiva mostrou resultados animadores, para isso, em nossos editais, estabelecemos critérios extras de pontuação para grupos minorizados, o que se refletiu em um saldo bastante positivo em 2021. Entre os proponentes beneficiados, 77,4% são mulheres, sendo uma transgênero. Além disso, do total de proponentes, 41,5% são negros, transgêneros, indígenas e deficientes.

A RioFilme acredita que audiovisual se faz por meio de parcerias com a participação de todos os seguimentos do setor. É fundamental a existência de iniciativas como Femina, para que as realizadoras tenham voz e visibilidade, só assim poderemos pensar e construir um audiovisual verdadeiramente democrático e inclusivo.